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Cidade do Porto

2025/01/03

A amnésia coletiva

Opinião

NOVOS TEMPOS
Por Sérgio Carvalho

A cultura do efémero, que entre nós faz escola, tem múltiplos seguidores. Nesta visão cultural, tudo parece descartável e, aquilo, que envolva esforço físico ou intelectual deve ser evitado ou esquecido.

Somos, na verdade, um povo estranho. Quando cantam o hino nacional nas competições desportivas, enchem os pulmões e gritam «Heróis do mar, nobre povo. Nação valente, imortal. Levantai hoje de novo o esplendor de Portugal! Entre as brumas da memória, ó Pátria, sente-se a voz dos teus egrégios avós que há-de guiar-te à vitória!».

Mas depois, esquece-se daqueles «egrégios avós», daqueles antepassados que os enchem, supostamente, de orgulho e que deveriam ser para nós um exemplo. 

Digo isto, a propósito, do quase esquecimento dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões (1524) e do falecimento de Vasco da Gama (24 de dezembro de 1524). Por coincidência, ambos estão sepultados com honras de Panteão Nacional, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. 

Camões foi o poeta maior da língua portuguesa e o autor da nossa epopeia «Os Lusíadas» e Vasco da Gama foi quem liderou a descoberta do Caminho Marítimo para a Índia. Ambos percorreram «mares nunca dantes navegados…em perigos e guerras esforçados».
Se um deu à língua portuguesa a sua obra mestra, o outro abriu o mundo à globalização e ao encontro de culturas.  

Portugal deveria ter dado destaque e maior respeito àqueles que nos fizeram ser o povo que somos, uma nação de gente aberta ao mundo e que, entre virtudes e defeitos, foram dilatando a Fé e a cultura portuguesa. 

A este respeito, refiro, ainda, a passagem do 25.º aniversário da transferência de soberania de Macau para a China (1999-2024), outra data que foi olvidada e simplesmente referida em notas de rodapé. Foi nesta cidade de Macau que Camões escreveu «Os Lusíadas». Naquele lugar, do Santo Nome de Deus, na foz do rio das Pérolas, em que a Ásia e a Europa se uniram e fundiram. 

Não podemos permanecer em silêncio. Não podemos cantar a letra d’A Portuguesa apenas por cantar, e somente em eventos desportivos. Temos de fazer jus às suas palavras. Portugal teve e tem grande importância a nível cultural e espiritual no mundo. A Fé cristã que espalhou será mesmo o Quinto Império, o reino da espiritualidade, duma fé inculturada e em diálogo com todos, ideia criada pelo grande Padre António Vieira. 

Desde que as caravelas regressaram em 1999, com o fim do Império Português, parece 
que temos vergonha da nossa História. Como em tudo na vida há páginas boas e más, mas não foram feitos apenas erros, houve muito de bom que deixa saudade, nas comunidades de luso-descendentes que ficaram espalhadas pelo mundo. Uns ainda falam a língua de Camões, poucos ou nenhuns têm a cidadania portuguesa, mas o que permaneceu na maioria, em todos os territórios por onde nos aventuramos foi a Fé cristã. 

Sejamos dignos dos nossos maiores e não ingratos ou esquecidos…


Sérgio Carvalho, Professor e Jornalista
 

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