Do crime organizado ao tráfico de seres humanos, do cibercrime ao terrorismo, o debate em torno das potenciais ameaças à segurança do espaço europeu reuniu, no Porto, alguns dos mais altos representantes das forças de segurança da Europa. Organizada pelo Sindicato Independente dos Agentes de Polícia, em articulação com a Federação Europeia de Sindicatos de Polícia (EU. Pol) e a Associação Nacional dos Sargentos da Guarda, a conferência "O Futuro da Segurança na Europa" contou com a participação do presidente da Câmara na sessão de abertura, na manhã desta quinta-feira, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett.
"A segurança europeia começa nas nossas cidades", sublinhou Pedro Duarte. Enaltecendo o trabalho das agências europeias, "fundamentais na partilha de informação, na coordenação de investigações e no combate a ameaças transnacionais", o autarca considera que este "tem de ser complementado pelas forças de segurança nacionais e locais, próximas dos cidadãos, conhecedoras das realidades específicas de cada território".
Por isso, o presidente da Câmara assumiu "o compromisso desta cidade com uma europa mais segura, mais cooperante e mais resiliente". "O Porto quer contribuir, cada vez mais, para uma segurança europeia construída através do diálogo, da colaboração e do respeito pelos valores democráticos", garantiu.
Também com esse objetivo, o autarca lembrou o "esforço [do Município] para combater os focos de insegurança e garantir a ordem e a tranquilidade públicas, protegendo a comunidade". Ainda assim, admite, não é "suficiente para dar resposta às necessidades da cidade".
"Não é suficiente enquanto houver portuenses que não se sentem seguros na rua, na sua atividade económica. Não é suficiente enquanto o Porto não tiver o número de efetivos de segurança de que precisa", sublinha Pedro Duarte, para quem "sem segurança não há cidadania em pleno".
Certo de que "a segurança é o alicerce sobre o qual se constrói a cidade, a cidade do bem-estar e prosperidade que aspiramos para o Porto", Pedro Duarte voltou a apelar a "mais investimento, mais meios, mais efetivos policiais para podermos proteger os nossos cidadãos".
"A segurança europeia não se constrói apenas com leis, com estratégias, planos e estruturas. Constrói-se, sobretudo, com vontade política, com cooperação genuína, com uma visão comum de futuro", concluiu o autarca.
Em representação do ministro da Administração Interna, o secretário de Estado adjunto, Paulo Ribeiro, lembrou que "a segurança da Europa não é algo estático, que, uma vez conquistado, está conquistado para sempre, mas um trabalho de adaptação permanente e de construção contínua" com base nas ameaças reais atuais.
O governante referiu o ProtectEU, a estratégia europeia de segurança interna 2025-2030, para sublinhar que o desafio é "fortalecer a capacidade de resposta das nossas democracias perante riscos cada vez mais dinâmicos", com enfoque para as ameaças vindas do digital.
Paulo Ribeiro afirmou os pilares onde esta estratégia assenta: confiança entre forças de segurança, informação com qualidade, gestão inteligente de fronteiras e tecnologia como multiplicador das capacidades.
"A estratégia da União Europeia é um roteiro que garante a estabilidade do nosso modelo de sociedade e a defesa dos valores democráticos e da liberdade", concluiu.
Por seu lado, a embaixadora da União Europeia em Portugal, Sofia Moreira de Sousa, deixou a certeza de que "a segurança na Europa é indivisível, [mas] não pode ser alcançada à custa dos valores que a definem".
A embaixadora enfatizou a pressão sentida por Estados membros com fronteiras expostas e a ideia de que "a migração está intimamente ligada à atividade de redes criminosas que exploram pessoas vulneráveis". Sofia Moreira de Sousa afirma que "gerir travessias regulares enquanto se mantém um controlo efetivo continua a ser um desafio persistente".
O debate "O Futuro da Segurança na Europa" contou com as visões do diretor nacional da Polícia de Segurança Pública, Luís Carrilho; do diretor executivo da Frontex, Hans Leijtens; do presidente da EU. Pol, Jochen Kopelke; do coordenador-geral da Unidade de Coordenação de Estrangeiros e Fronteiras, Pedro Moura; do 2.º comandante da Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras GNR, Marco Cruz; do diretor de Desenvolvimento de Negócios Critical Software, João Mortágua; e do secretário-geral da EU.POL, Michel Öz.
Fonte: CM Porto
Foto: CMP | Andreia Merca