É uma rua relativamente nova, se comparada com a construção de muitas outras pela cidade. Data de 1816, por iniciativa da Santa Casa da Misericórdia do Porto, "segundo projecto aprovado pela Junta das Obras Públicas, em 13 de Outubro de 1815, a abertura pelo meio do Campo da Agra, pertença do Casal do Robalo (onde se edificou o Hospital de Santo António), de uma nova rua que, cortando a Quinta da Bandeirinha, iria ligar a Alameda de Massarelos com a Rua do Rosário". Aqui começa a história da Rua da Restauração.
A sua abertura só se dá em 1825, ainda sem nome oficial. Chamou-se depois de D. Miguel I, até 1832, por fim e até hoje, Rua da Restauração, precisamente por causa da restauração do Liberalismo em Portugal.
Uma primeira grande intervenção foi a que se realizou na parte em que a nova rua ficava sobranceira ao Mosteiro de Monchique. Em 1839, numa planta de Costa Lima, ainda não rompera a grande pedreira da Torre da Marca (parte dos Jardins do Palácio de Cristal), em direção ao rio. Cinco anos mais tarde, em 1844, uma outra planta da cidade, levantada por Perry Vidal, já a mostra terminada em toda a sua extensão e ligada ao Passeio de Massarelos.
A obra de maior envergadura foi a construção do paredão que corre ao longo da fachada poente do Hospital de Santo António e que constituiu a segunda fase da obra. Todo o paredão assenta em estacaria colocada a grande profundidade.
Atualmente tornou-se numa das zonas trendy da cidade, sempre num percurso de bonitas vistas para o rio e árvores altas, a par de belos edifícios antigos de carácter burguês, e onde o elétrico nunca passa despercebido. Em 2017, totalmente requalificada pela Câmara Municipal.
É nesta artéria que se situa a casa que, em meados do século XIX, foi considerada a "casa mais luxuosa da Invicta" – na altura o Palacete Silva Monteiro – hoje em dia a Casa do Vinho Verde, sede da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes.
Ali esteve instalada a primeira clínica privada da cidade, pertença do professor Alberto de Aguiar, onde teve também a sua residência. O edifício ainda mostra, gravada na pedra, a legenda "Laboratório Médico".
Ao longo dos últimos anos, o Mural da Restauração tem ganho vida, através de um projeto integrado no Programa de Arte Urbana do Porto. Dinamizado desde 2014, este contribui para a divulgação e sensibilização da produção criativa da arte urbana, incentivando a sua prática num enquadramento institucional autorizado.
Tudo isto e muito mais pode ser visitado na Rua da Restauração, descendo-a e subindo-a de elétrico, sempre com o rio como companheiro de viagem.
Fonte/Foto: CM Porto
Foto: CMP | Andreia Merca