Certo dos desafios e caraterísticas particulares que definem a Rua de Costa Cabral, o Município do Porto trabalhou uma proposta de urbanismo tático para dar resposta a questões de segurança pedonal, fluidez do trânsito e revitalização do espaço público. Urgência da solução apresentada para o troço entre a Praça do Marquês e a Avenida dos Combatentes da Grande Guerra assume o seu caráter reversível e aberto a avaliação no sentido único do reforço da vida de bairro que circula naquela artéria da cidade.
A proposta municipal passa pela adoção de uma via única, com um canal partilhado entre automóveis e transporte público, no sentido Marquês – Combatentes, a criação de bolsas de estacionamento para cargas e descargas com espaço para 13 veículos, a definição de baias "Kiss & Drive" junto aos equipamentos escolares e a materialização de duas plataformas nas paragens de autocarro para melhorar a acessibilidade ao transporte público.
Desta forma, e com a colocação de mobiliário urbano robusto, entre floreiras e bancos, os peões ganham mais de mil metros quadrados de passeio. Ao mesmo tempo, o efeito de gincana na via em frente aos estabelecimentos escolares procura ajudar no controlo da velocidade. Recorde-se que já se encontram implementadas algumas lombas para inibir a velocidade excessiva. Já os autocarros, deixando de circular no sentido Combatentes – Marquês, terão um novo canal de dedicado na Rua da Alegria.
Os objetivos passam por resolver problemas de logística para o comércio, revitalizar o espaço público, tornar a rua mais segura para todos e disponibilizar uma maior área pedonal. O Município conta ter o projeto implementado no verão.
Numa sessão de apresentação a moradores, comerciantes e outros utilizadores diários da Rua de Costa Cabral, na tarde desta quarta-feira, a vice-presidente da Câmara considerou que "esta proposta parte de uma convicção simples: o Porto melhora sempre que tem coragem de ouvir e de corrigir".
Catarina Araújo lembrou o "conjunto de cidadãos que não esperaram, que proativamente se organizaram, refletiram sobre a rua e apresentaram propostas concretas". Para a autarca, "este movimento de participação cívica é mais do que bem-vindo, é essencial para que o Porto seja um verdadeiro tecido urbano vivo e saudável".
"Uma rua com esta importância não se constrói, não se transforma, não se pensa de costas voltadas para as pessoas. Constrói-se ouvindo quem a conhece pelo seu uso e não apenas por um mapa", reforçou a também vereadora do Urbanismo e Espaço Público.
Com base nos estudos realizados, num processo de auscultação e no trabalho desenvolvido pelos serviços municipais, Catarina Araújo assume que "chegou o momento de agir" e colocar no terreno uma "uma solução que seja capaz de organizar melhor o espaço público, de responder aos problemas logísticos que sabemos que existem, de devolver a segurança e a qualidade urbana a todos os que frequentam esta que é uma das artérias mais pulsantes da cidade".
Tratando-se de urbanismo tático, a proposta, esclarece a autarca, "assenta em soluções simples, testáveis e reversíveis que nos permitem experimentar, no terreno, e avaliar os resultados, ajustando o que for necessário".
Perante uma sala repleta de sugestões para os desafios que aquela artéria apresenta, Catarina Araújo assumiu levar da sessão "muitas sensibilidades e muitos inputs que vamos ponderar". Frisando que a solução não está fechada, a autarca afirmou que "queremos construir uma solução que seja melhor, equilibrada, próxima da realidade de quem vive e utiliza Costa Cabral todos os dias, próxima das pessoas".
A vice-presidente lembrou que se trata de "uma situação complexa, que convoca um conjunto de utilizações e vivências que têm de ser compatibilizadas", apelando ao reconhecimento da necessidade de concessões para que seja encontrado o equilíbrio entre todos.
"Costa Cabral não pode continuar a ser uma rua só de passagem. Costa Cabral é uma rua de comunidade", concluiu.
Fonte: CM Porto
Foto: CMP | Andreia Merca