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Cidade do Porto

2024/11/26

Fachada dos Paços do Concelho vai iluminar-se com as bandeiras da Palestina e do Líbano

Concelho

Assim que a árvore de Natal for retirada da Praça do General Humberto Delgado, as bandeiras da Palestina e do Líbano serão projetadas na fachada dos Paços do Concelho em solidariedade com aqueles países, alvos de bombardeamentos por Israel. A recomendação do Bloco de Esquerda, apresentada na reunião de Executivo na manhã desta segunda-feira, recebeu apenas a oposição do PSD e da vereadora do movimento independente Catarina Araújo.
O facto de a recomendação seguir as deliberações do Tribunal Penal Internacional – que emitiu um mandado de captura internacional do presidente israelita, Benjamin Netanyahu – "fundamenta uma alteração de posição" do presidente da Câmara, tendo partido do autarca a inclusão da bandeira libanesa na proposta do Bloco.
Numa declaração de voto, Rui Moreira reforça que "nada justifica as ações do governo de Israel e das suas forças armadas. Não se trata de anti-semitismo: esta opinião é partilhada por muitos judeus e por muitos israelitas".
"Fazemo-lo [a projeção das bandeiras], numa cidade em que a liberdade e a paz são valores muito importantes, relativamente às populações que têm sofrido na pele a consequência de guerras que não criaram", sustenta o autarca.
O presidente da Câmara refere que a projeção das bandeiras, que apresenta um investimento "relativamente baixo", vai "ter que esperar pela desmontagem da árvore de Natal", de forma a "evitar a poluição visual". A estrutura sairá do local no início de janeiro.
Sobre a violência de que têm vindo a ser alvo os manifestantes pro-Palestina, que, todas as noites, se reúnem em frente à Câmara do Porto, o Executivo foi unânime na aprovação de uma recomendação de repúdio, apresentada pela CDU.
Rui Moreira lembrou que já havia pedido a intervenção da Polícia Municipal junto do comando distrital da PSP para que agisse "no sentido de tomar as medidas legais adequadas face a estas situações que estão claramente comprovadas".
Questionado sobre o incidente que marcou uma das últimas reunião da Assembleia Municipal, onde foi solicitada a retirada da sala de uma munícipe que intervinha, precisamente sobre a violência sobre os manifestantes, o presidente da Câmara frisou que "são órgãos diferentes".
Manifestando "solidariedade orgânica", Rui Moreira lembra que "não podemos fiscalizar as ações da Assembleia Municipal". Para o autarca, é importante esclarecer que "quem quiser vir discutir as questões do Executivo, deve fazê-lo nas reuniões públicas" daquele órgão. À Assembleia devem ser levadas questões dentro do seu âmbito de atuação, considera.
Pelo PS, Tiago Barbosa Ribeiro considera a projeção das bandeiras "um ato meramente simbólico do muito pouco que podemos fazer". "Israel está a assumir uma posição absolutamente indefensável, imoral, que avilta a consciência do mundo", acusa o vereador.
Para o socialista, a medida aprovada "demonstra a adesão do Porto a um grito de revolta mundial".
Tiago Barbosa Ribeiro garante, a propósito da recomendação da CDU, que há "uma posição de repúdio generalizado pela situação", por isso, "todas as ações que permitam forçar uma posição crítica das instituições" terão a solidariedade do PS.
Preocupada com "a possibilidade de cada cidadão poder exprimir livremente a sua opinião na cidade", a vereadora da CDU considera importante que as pessoas "sintam que, da parte do poder político, não há qualquer cedência a atropelos da liberdade".
Sobre a projeção das bandeiras palestiniana e libanesa, Ilda Figueiredo considera "normal que a Câmara tome uma idêntica atitude à que tomou" relativamente a outros conflitos. “Vem na sequência da afirmação do Porto como uma cidade que defende a liberdade, os direitos fundamentais e a Carta das Nações Unidas”, sustenta.
Por seu lado, o vereador do Bloco de Esquerda considera que “o tempo acabou por fazer com que a sensibilidade das pessoas mudasse”. Relativamente à violência de que se queixam os manifestantes, Sérgio Aires considera “urgente” que “sejam postas em marcha as medidas de segurança” necessárias e que haja “mais vigilância”.
Justificando o voto contra a projeção das bandeiras da Palestino e do Líbano nos Paços do Concelho, Catarina Araújo sublinha que repudia "veemente o terrorismo" e que aquilo de que o povo palestiniano está a ser vítima "por força da operação militar de Israel nunca teria acontecido se o Hamas tivesse libertado os reféns".
"Não é com o hastear de bandeiras, que, neste momento, dividirão mais do que unirão, que se conseguirá alcançar o cessar-fogo", sublinha a vereadora do movimento Rui Moreira - Aqui Há Porto, acusando o "grupo de fanáticos de manter a população palestiniana refém em Gaza" e de "enriquecer à custa de ajuda externa", sem denúncia da parte do Ocidente.
Para Catarina Araújo, "são esses cúmplices que se organizam em protestos violentos, aproveitando o momento e a deturpação das redes sociais para lançar a maior campanha de ódio jamais vista".
Já Mariana Ferreira Macedo considera que “não devemos bipolarizar a situação”, afirmando que “o escalar de violência na cidade tem acompanhado o escalar a nível internacional”.
“A Câmara deve ter um papel moderador e não tomar grandes posições”, defende a vereadora do PSD, considerando que a iluminação, além do “custo associado”, estará a “abrir precedentes para outras causas” e que existirão “outros atos simbólicos” que poderiam ser opção neste como noutros casos de solidariedade.


Fonte: CM Porto
Foto: CM Porto/Angel Meijon

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