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Cidade do Porto

2025/04/04

João Paulo II: nunca te esqueceremos!

Opinião

NOVOS TEMPOS
Por Sérgio Carvalho

Ao longo da nossa vida existem factos e momentos que nos marcam. Existem dias que não esquecemos e mesmo passado imenso tempo recordamos o que estávamos a fazer naquela data. O dia 2 de abril de 2005 é uma dessas datas. Foi o dia em que o Papa João Paulo II faleceu, «regressou à Casa do Pai», como referiram no Vaticano.

Há vinte anos, acompanhava como jornalista as últimas notícias vindas de Roma e na igreja da Trindade, no Porto, fazia a reportagem da ordenação episcopal de D. Carlos Azevedo, o último bispo que seria ordenado, em todo o mundo, no pontificado de João Paulo II. 

Chegado a casa, a triste notícia chegava, o Papa morreu. Naquele momento, a comoção e as lágrimas escorreram na minha face. Chorei mais pelo Papa do que por muitas outras pessoas ligadas a mim.

O Papa João Paulo II foi o Papa da minha juventude e que me ajudou a crescer. Mesmo tendo nascido nos tempos de Paulo VI e de João Paulo I ter falecido no dia do meu aniversário, não tenho memória deles. 

Cresci como pessoa, tornando-me adulto durante o seu longo pontificado (1978-2005). Foi o herói da minha adolescência e juventude, pois a sua coragem e forma de ser e estar no mundo eram cativantes e marcantes. 

Nas três vezes que visitou o nosso país tive a graça de estar nas celebrações que presidiu: em 1982, no Porto; 1991 e 2000 em Fátima. 

Na cidade invicta, recordo a multidão que enchia a Praça da Liberdade e a Avenida dos Aliados, bem como as ruas limítrofes. Passou em frente da minha casa, no comboio a caminho de Braga. Lembro-me do homem vestido de branco, à janela do comboio, a acenar à multidão. E eu no quintal de casa com um lenço branco e dar na emissão da RTP. 

No 13 de maio de 1991, estive mesmo perto dele, junto do monumento do Sagrado Coração de Jesus, no centro do santuário de Fátima. Foi a primeira vez que pisei a Cova da Iria e logo no dia em que o Papa ali estava. Deixou uma frase na minha mente: «Jovens sede jovens. Jovens sede santos!»

No ano 2000, a proximidade foi ainda maior pois pertencia ao grupo que orientou a vigília de oração, toda a noite de 12 para 13 de maio, na capelinha das Aparições. Como foi impactante o silêncio que se fez sentir enquanto o Papa rezava diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima. Depois a beatificação dos videntes Francisco e Jacinta e a revelação da 3.ª parte do «segredo de Fátima». 

Ainda na década de 90, quando era voluntário de Verão, no santuário de Fátima, tive a oportunidade de conhecer e visitar os aposentos que o Papa João Paulo II usou, nas suas peregrinações à Cova da Iria. Quem possibilitou tal visita foi o então bispo emérito de Leiria-Fátima, D. Alberto Cosme do Amaral. 

Partilho, como tal aconteceu…. Após o jantar, na casa de retiros de Nossa Senhora do Carmo, um funcionário veio comunicar-me que D. Alberto desejava falar comigo e com um colega meu de curso (hoje Cardeal-Bispo de Setúbal). Fiquei apreensivo, pois não sabia qual o teor da conversa. Subimos ao escritório de D. Alberto Cosme do Amaral que nos recebeu afavelmente. Disse-nos que tinha tido conhecimento da nossa admiração pelo Santo Padre e da nossa curiosidade em conhecer os aposentos papais.

O Bispo D. Alberto disse que tal nos seria facultado e que ele próprio iria connosco. Mas que havia uma condição e esta era a seguinte: tínhamos de prometer ser sempre fiéis ao Santo Padre e de rezarmos sempre pelo seu ministério. Nós concordamos.

Imaginava algo grandioso, mas tudo era tão simples. Uma modesta suite, com três pequenas divisões (quarto, hall e casa de banho). Uma mesa de trabalho, uma simples cama e um genuflexório diante de um crucifixo. D. Alberto Cosme do Amaral disse-nos: «eis a simplicidade do sucessor de São Pedro. Tudo isto são relíquias, pois o Papa João Paulo II é verdadeiramente um santo.»

Junto do crucifixo ajoelhamo-nos e fizemos as nossas orações. No fim, o bispo emérito de Leiria-Fátima desafiou-nos a fazermos um voto e uma profissão de fé. «sede sempre fiéis ao Papa e rezai comigo o credo». 

O Papa João Paulo II hoje é um modelo de santidade apresentado a toda a Igreja, mas para a humanidade foi o homem que guiou os povos para a liberdade, combateu toda a espécie de totalitarismos fossem de direita ou de esquerda; foi um grande defensor da Pessoa Humana e da Vida; preparou a Igreja para o 3.º milénio, legando um magistério escrito inigualável na História cristã.

Cada Papa é sucessor de São Pedro e cada um a seu modo perpetua a missão de guiar a Igreja ao longo dos tempos. Os Papas sucedem-se, mas apenas são sucessores do pescador da Galileia, daquele que o Mestre escolheu para ser a pedra, a rocha firme sobre a qual a Igreja seria edificada. 

Para os jovens tudo isto é História, para quem tem mais de 40 anos uma realidade, com misto de saudade e de gratidão. Para mim, a referência e um modelo a seguir. 

 

Sérgio Carvalho, Professor e Jornalista

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