Sem uma intervenção efetiva da Administração e do Governo, a contestação dos trabalhadores de Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica (TSDT) na Unidade Local de Saúde (ULS) de Santo António, tenderá a intensificar-se. Profissionais voltam a reunir-se em Plenário no próximo dia 29 de abril (14h/17h) para decidir novas ações de luta.
A greve dos profissionais de saúde das áreas de diagnóstico e terapêutica da ULS de Santo António, realizada nos dias 23 e 24 de abril, registou um impacto significativo nos cuidados de saúde prestados, traduzido na prestação exclusiva de serviços mínimos o que levou ao cancelamento e adiamento de centenas de exames de diagnóstico e outros atos clínicos, declara o Sindicato de Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica (STSS), em comunicado à nossa redação.
De acordo com dados apurados pelo STSS, por cada dia de greve foram afetados mais de 500 atos clínicos, entre exames e procedimentos, incluindo ressonâncias magnéticas, TAC, cirurgias com intervenção direta destes profissionais, ECG, ecocardiogramas, monitorizações ambulatórias, provas de esforço e exames de oftalmologia. Para além destes números, registou-se o cancelamento generalizado da atividade programada, incluindo consultas e cirurgias, por ausência de meios complementares de diagnóstico e terapêutica essenciais à decisão clínica, nomeadamente exames pré-operatórios, de controlo pós-operatório ou de suporte à decisão médica. Destaca-se ainda o impacto na radiologia convencional, com particular incidência na consulta de ortopedia, uma das principais valências da instituição, bem como a interrupção de apoio a consultas em áreas como a oftalmologia.
Para o Presidente do STSS, Luis Dupont, “estes dados evidenciam o papel determinante destes profissionais no funcionamento do SNS e o impacto direto do incumprimento das orientações do Governo por parte da administração da ULS de Santo António”. Reforçando “o impacto desta greve demonstra de forma clara a centralidade destes profissionais no funcionamento da instituição. O que está em causa é o cumprimento de orientações do Governo que continuam por aplicar, sem qualquer justificação aceitável”.
Face à ausência de resposta por parte da administração, os profissionais voltam a concentrar-se em Plenário, à porta do Hospital de Santo António, no próximo dia 29 de abril, entre as 14h00 e as 17h00, para demonstrar publicamente a sua indignação. Nesse momento serão avaliados os desenvolvimentos mais recentes e decididas novas formas de luta, caso se mantenha o incumprimento da Lei n.º 34/2021 e das orientações da tutela.
Recorde-se que, apesar da tutela já ter clarificado o enquadramento legal e de outrasinstituições do SNS já estarem a aplicar essas orientações, a ULS de Santo António continua sem regularizar de forma plena a situação dos profissionais de saúde das áreas de diagnóstico e terapêutica. Nos contratos de trabalho (CIT), a ausência de resolução mantém-se total, perpetuando um conflito judicial que poderia ser evitado. Já no caso dos contratos em funções públicas (CTFP), embora tenham existido alguns avanços, persistem ainda lacunas relevantes. Torna-se, por isso, imperativo assegurar uma regularização completa para ambos os regimes, sem prejuízo da urgência acrescida que se verifica nos CIT. Em causa está a atribuição de pontos e o pagamento de créditos salariais.
O STSS reafirma a sua disponibilidade para o diálogo, mas alerta que, sem uma intervenção efetiva da Administração e do Governo, a contestação dos trabalhadores tenderá a intensificar-se.
Fonte: STSS
Foto: ULS Santo António