O Município do Porto quer avançar com "uma atuação mais eficaz" no combate à pequena criminalidade, denunciada pelos munícipes, em Ramalde. Da estratégia faz parte a colocação de equipamentos de videovigilância, melhor iluminação pública e a insistência para que seja reforçado o número de efetivos policiais nas ruas. Na manhã da passada quinta-feira, o presidente da Câmara, Pedro Duarte, reuniu com a presidente da Junta de Freguesia, Patrícia Rapazote, o segundo-comandante da Polícia Municipal (PM), Afonso Sousa, o comandante da Divisão de Investigação Criminal da Polícia de Segurança Pública (PSP), Rui Mendes, e a comandante da Esquadra da PSP do Viso, Andreia Cordeiro.
"Numa lógica de proximidade, viemos a Ramalde para conhecer melhor a realidade, ouvir os interlocutores e, a partir daqui, podermos começar a ter uma atuação mais eficaz", explicou, à saída, Pedro Duarte. A lógica é, em conjunto, "alinhar perspetivas, diagnósticos e estratégias de atuação face a um problema que é uma prioridade na cidade".
Da parte da presidente da Junta de Freguesia, ouviu o relato daquilo que Patrícia Rapazote considera "alguns problemas de segurança leve", nomeadamente ao nível de "furtos em veículos, nas zonas conexas às habitações e em zonas comerciais", em sequência da passagem diária pela freguesia de "mais do dobro da sua população".
"Fiz chegar a informação à Câmara do Porto porque as pessoas estão preocupadas", afirma a presidente da Junta. Sublinhando o "trabalho de forma continuada com o Município e com as forças de segurança”, Patrícia Rapazote adianta que já foi enviado, igualmente, "um ofício à ministra da Administração Interna, ao Comando Metropolitano do Porto e mesmo à Metro do Porto para que tenha mais segurança nas estações".
A presidente da Junta confirma a necessidade de "mais agentes na Esquadra do Viso para melhorar a qualidade de vida e a segurança em Ramalde". E o presidente da Câmara corrobora. Ainda que denote uma "mudança significativa do ponto de vista da visibilidade da polícia nas ruas da cidade", e lembrando o esperado reforço da Polícia Municipal com 80 novos agentes, Pedro Duarte garante que "a nossa ideia de vida em cidade não é compatível com as pessoas a viverem com medo, com receio de poderem usufruir dela".
No entanto, o autarca partilhou a expetativa de que "haja, pelo menos, mais 100 polícias no Comando Metropolitano [da PSP do Porto] para compensar o esforço que a Câmara está a fazer" na PM, e que foi esse objetivo que manifestou à ministra. "Não pode ser tirar de um lado e colocar no outro", acrescenta.
Ainda que mais polícias "permitam ter outra capacidade efetiva de resolver os problemas", o presidente considera que a questão não fica sanada "só com reforço policial". Por isso, lembrou que está em andamento a terceira fase da videovigilância, que vai instalar em Ramalde cerca de cinco dezenas de equipamentos.
A par de "um plano de iluminação pública que permita dar outro tipo de conforto às pessoas para que vivam a cidade como gostamos que aconteça", Pedro Duarte acredita que as câmaras de vigilância vão "ter um efeito dissuasor, em primeira instância, e de combate à criminalidade muito efetivo".
Mesmo que "não haja, no Porto, um problema de criminalidade violenta ou grave", o autarca sublinha a "disseminação de pequena criminalidade que perturba o dia-a-dia de quem habita, trabalha e circula na cidade", e que "Ramalde tem-se manifestado uma freguesia particularmente típica a este respeito".
Pedro Duarte refere-se, particularmente, a problemas relacionados com o tráfico e consumo de droga "muito significativos". "Há um movimento de pessoas que, por necessidade de consumo, acabam por ser indutoras de insegurança porque cometem pequenos crimes com muita regularidade", afirma o presidente, consciente dos fluxos provocados por ações policiais noutros territórios.
"O tráfico vai fugindo da polícia, que tem tentado ser muito efetiva, e tem-no conseguido em muitos casos", refere o autarca, certo de que "como os resultados não são suficientes, por vezes, de forma injusta, as pessoas consideram que a polícia não está a fazer o seu trabalho".
Recorde-se que, no último Conselho Municipal de Segurança, a autarquia já havia partilhado a contratualização, com a Escola de Criminologia da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, de um estudo "mais exaustivo do ponto de vista científico para termos dados que sejam mais fidedignos".
"Queremos ir mais ao detalhe para que as respostas sejam mais baseadas no que é a realidade concreta", afirma o presidente da Câmara, para quem "a segurança é a base para a liberdade e esta é a cidade da liberdade".
Fonte: CM Porto
Foto: CMP | Andreia Merca