O Porto e Vila Nova de Gaia vão ser ligados por uma nova ponte pedonal e ciclável entre a Ribeira e o Cais de Gaia. O memorando de entendimento para esta travessia de 250 metros, avaliada em cerca de 25 milhões de euros, foi assinado pelos municípios com o objetivo de concluir a obra até ao final de 2029.
Entre as várias formas possíveis de encontro das duas cidades, Porto e Vila Nova de Gaia vão fazer nascer uma nova união. Num investimento com um teto de cerca de 25 milhões de euros, as duas margens vão ficar, até ao final de 2029, ligadas por uma nova ponte, exclusiva para peões e modos suaves. Memorando de entendimento deste “manifesto interesse público municipal”, que prevê o apoio técnico da Ordem dos Engenheiros Região Norte, foi assinado por Pedro Duarte e Luís Filipe Meneses, na manhã de terça-feira, 23 de junho, na Casa do Infante.
Entre os grandes objetivos firmados no memorando estão, a par da melhoria da mobilidade entre as duas cidades, o potenciar do valor paisagístico e ambiental do Rio Douro, atuar numa lógica de intervenção integrada, ser um exemplo concreto de políticas de sustentabilidade, salvaguardar e valorizar a imagem urbana, a linguagem arquitetónica envolvente, os enquadramentos visuais e a integração paisagística, e melhorar a qualidade de vida dos utilizadores.
“Esta ponte é uma necessidade histórica”, acredita o autarca portuense. Certo, não apenas do benefício de mobilidade, com a dinâmica das duas cidades a obrigar a “olhar para os fluxos de movimentação de pessoas particularmente nesta zona”, mas também económicos “evidentes para ambas as margens”, Pedro Duarte lembrou a necessidade de “ganhar escala, de alargar o território para que não haja um excesso de concentração como temos atualmente”, nomeadamente com a Ponte Luís I.
Essencialmente, a nova estrutura “vai ajudar à qualidade de vida das pessoas”. Para o presidente da Câmara, “uma ponte como esta pode ser um motor para, a partir daí, criamos dinâmicas novas”, que unam as duas margens.
Para o autarca é a diferença entre “ter uma visão pequenina do nosso quintal ou uma visão ampla de toda uma região, que tem de ganhar dimensão para ter mais peso em termos nacionais, europeus, globais”. Uma segunda centralidade que Pedro Duarte não tem dúvida de que “é importante para o país”.
“Através de uma ponte estamos a mostrar que estamos a juntar esforços para trabalhar em conjunto”, assumiu o presidente da Câmara, deixando a certeza de que “é com esta ambição, com este sonho, que vamos fazer sempre mais pelas nossas gentes”.
Enfatizando o privilégio dado aos modos suaves, o presidente da Câmara de Gaia adianta que a nova ponte irá permitir “ter o Porto ligado à Praia de Canidelo através de uma ciclovia”.
“Além da questão funcional, de ser algo que facilita, no quotidiano, a movida permanente do turismo, da economia”, Luís Filipe Meneses acredita que a estrutura “terá caraterísticas que, por si só, farão dela mais um motivo para a região ter uma visibilidade global, internacional superior”.
O autarca gaiense não deixou de frisar a “cooperação sinérgica, inteligente, permanente entre estes dois municípios”, essencial para a “concretização de projetos comuns desta dimensão”. “Acredito que a ponte, por si só, vai acrescentar muito à imagem de marca do território”, sublinhou.
Seguem-se, agora, os trabalhos das equipas técnicas de ambas as autarquias para que o concurso, limitado por prévia qualificação, com publicidade internacional, para a materialização da obra de conceção-construção da nona ponte sobre o Rio Douro, entre Porto e Gaia, seja lançado até ao final do ano.
Definido está já o perímetro onde a nova ponte poderá ser construída, 350 metros a jusante da Ponte Luís I, com o local exato a ser apresentado pelos candidatos. O vão da ponte está estimado em 250 metros.
Todo o procedimento contará com o apoio técnico da Ordem dos Engenheiros Região Norte (OERN), cujo presidente, Bento Aires, responsável pela apresentação do projeto na Casa do Infante, assumirá a presidência do júri do concurso. "O trabalho dos engenheiros é fazer a coesão das cidades, desenvolver, aproximar e, sobretudo, reforçar o sentido de comunidade", sublinha o representante da OERN, lembrando que esta missão tem a sua concretização máxima na construção de pontes.
O objetivo desta estrutura entre as duas cidades, para a qual serão chamados "os engenheiros e os arquitetos mais qualificados e as empresas de construção mais preparadas", é criar um novo laço entre as duas margens, que sirva portuenses, gaienses e todos os que visitam o território até ao final de 2029. O valor provisional do custo da obra é de cerca de 25 milhões de euros, a suportar em partes iguais pelas duas autarquias, que irão, ainda assim, procurar outras formas de financiamento.
Fonte: CM Porto
Foto: CMP | Fábio Reis