"Este é um momento histórico", descreveu o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, após o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, ter anunciado um conjunto de medidas que tem em vista a redução do tráfego na Via de Cintura Interna (VCI). Planos para os próximos meses foram discutidos, esta quinta-feira, na sede da Área Metropolitana do Porto, por todos os municípios visados.
Depois de reunir com todos os municípios envolvidos, entre os quais o Porto, que sempre teve uma voz ativa na reivindicação por uma solução definitiva, o ministro das Infraestruturas apresentou medidas de mitigação de trânsito para esta artéria da cidade. Miguel Pinto Luz explicou que a estratégia consiste numa "transferência de tráfego" da VCI para a CREP.
"O Governo irá encetar todos os esforços para que haja uma redução das tarifas na CREP, tendencialmente gratuitas para todos os veículos pesados", referiu o ministro, ao apontar que esta medida vai permitir a diminuição de "16% a 20% do tráfego de veículos pesados na VCI", a partir de janeiro do próximo ano.
Ao explicar que o conceito de "tendencialmente gratuito" diz respeito à diferenciação de pesados de mercadorias e de passageiros, o presidente da Câmara considerou os prazos apresentados para a aplicação da medida "exequíveis". Rui Moreira classificou a proposta como positiva, uma vez que "um veículo pesado, de acordo com estudos europeus, tem um impacto que é sete vezes superior a um veículo individual. Portanto, esta medida é fundamental".
Recordando que a preocupação com o excesso de tráfego nesta via de circulação da Invicta é "uma guerra" antiga – ainda antes de ser presidente da Câmara do Porto –, o autarca lembrou que, ainda assim, há uma questão a ser analisada.
Na ótica do presidente da Câmara, é preciso avaliar se a gratuitidade para veículos pesados deve ser "aplicada a todas as horas do dia, em função do custo benefício", questionando: "Vale a pena fazer isto para um veículo que passa entre as três e as quatro horas manhã?".
"Em termos daquilo que é o interesse público, há formas de gratuidade que fazem sentido e há formas de gratuidade que não fazem sentido", referiu Rui Moreira, explicando que "através dos pórticos [que ainda vão ser colocados na via] consegue-se mediar as expressões e haverá momentos em que não é preciso" adotar esta opção.
O presidente lembrou que, "neste momento, estão a ser atraídos, para dentro da cidade do Porto, veículos pesados artificialmente", ou seja "que apenas vêm para cá por causa do modelo de portagens que foi implementado no passado", em contrassenso com "o que aconteceu noutros países".
"Este é um momento histórico porque, pela primeira vez, temos um Governo que assume o compromisso de que esse modelo vai ser alterado", expressou o autarca.
Com o Governo e os municípios em sintonia, Miguel Pinto Luz garantiu que "há caminho para andar", revelando outros passos que vão ser dados para que se consiga melhorar a mobilidade na região.
"O Ministério das Infraestruturas, a IP [Infraestruturas de Portugal] e os municípios definiram que um grupo de trabalho dos dois lados começará a definir todas as medidas mitigadoras que podemos colocar em prática para dissuadir o tráfego de passagem por dentro da VCI e por dentro da cidade do Porto”, informou o ministro, antecipando que, nesta matéria, ainda nada está fechado, com o trabalho a prosseguir nos próximos meses.
Apesar de este ser um Governo de gestão, Miguel Pinto Luz recordou que o despacho que deu origem à discussão sobre a VCI foi lançado pelo Executivo quando este ainda
estava em plenas funções, pelo que não há qualquer razão para alarme no que diz respeito ao cumprimento de prazos.
Naquele que descreveu "como um dia muito importante", Rui Moreira abriu a porta a um novo estudo que envolva todos os municípios beneficiados pela VCI, "no sentido de encontrar uma forma harmoniosa" de implementar outras medidas que melhorem a mobilidade.
Fonte: CM Porto
Foto: CMP | João Pedro Rocha